Sambódromo voltará a ter escolas em turno integral, com cursos da Faetec


O Sambódromo se tornará um grande polo de educação e turismo voltado para o Carnaval. É para isso que trabalha um grupo de secretários estaduais, tendo em vista a passagem da gestão da Passarela do Samba da Prefeitura do Rio para o governo do estado. Cerca de mil alunos serão atendidos já no primeiro semestre de 2020, contabilizando as vagas destinadas ao ensino regular e integral, incluindo 500 para cursos profissionalizantes.

Segundo informações do governo estadual, uma nova unidade da Faetec funcionará dentro do Sambódromo, oferecendo cursos relacionados a instrumentos e confecção de alegorias. Também será transferida para lá a cozinha-escola da Faetec. O equipamento fornecerá alimentação para os alunos e também para a população em geral. Segundo a Secretaria de Ciência e Tecnologia, a nova unidade — recém-batizada de Escola de Artes de Carnaval da Faetec — vai oferecer ainda os cursos de segurança no trabalho, carpintaria, solda, culinária, confeitaria, idiomas e turismo.

“O governador quer tornar o Sambódromo um lugar de visitação o ano inteiro, com sala de exposições, restaurantes, shows, onde o turista tenha experiência completa do Carnaval”, contou o secretário de Ciência e Tecnologia Leonardo Rodrigues.

Ainda de acordo com Rodrigues, os cursos de culinária e confeitaria começarão já em novembro, nos camarotes. Isso porque o espaço dispõe da infraestrutura necessária para as aulas. Uma reunião dará o pontapé inicial no projeto de transição, que contará com grupo de secretários, e está prevista para agosto. “Os cursos durarão, em média, de quatro a seis meses”, acrescentou.

Apesar da gestão do espaço ainda estar sendo feita pela prefeitura, integrantes do governo estadual participarão hoje de vistoria no local. A inspeção servirá para avaliar os investimentos necessários para adequar o Sambódromo às exigências de segurança do Corpo de Bombeiros.

CIEPs funcionaram no Sambódromo até 2011

Desde sua inauguração, no governo de Leonel Brizola, em 1984, o Sambódromo abrigava mais de 150 salas de aula, com capacidade para atender cerca de 10 mil crianças da rede pública em Centros Integrados de Educação Pública (Cieps) durante todo o ano letivo.

O projeto, concebido por Brizola e pelo então vice-governador, o antropólogo Darcy Ribeiro, otimizou o espaço, sendo destinando não apenas à folia, mas também à educação básica. 

O funcionamento dos Cieps do Sambódromo vigorou durante 27 anos. Em 2011, no entanto, cerca de 600 alunos que ainda eram atendidos em três unidades tiveram que ser transferidos para outras escolas e o equipamento passou a ser usado apenas durante o Carnaval. Na ocasião, a Prefeitura do Rio justificou a mudança alegando que os alunos dos colégios do Sambódromo perdiam muitos dias letivos por conta dos ensaios e desfiles.