Camelô é preso por engano, diz família


AMBULANTE PRESO POR ENGANO DIZ FAMÍLIA

Arilson Machado de Souza não pôde comemorar o dia dos pais, neste domingo, ao lado da mulher, filhas e netos. É que, segundo a Polícia Civil, ele é suspeito de ter invadido, roubado objetos da casa de uma mulher, além de tê-la agredido, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, em junho deste ano. Desde esta época, o homem está preso no Complexo de Gericinó, na Zona Oeste do município. A família, no entanto, alega que a captura do ambulante de 45 anos foi um engano — de acordo com parentes e também um amigo , Alex Sandro dos Santos de Silva, Arilson não poderia ter cometido o crime, já que trabalhava no momento em que ocorrera o delito.

Estamos todos arrasados. Ele é o alicerce da nossa casa. Meus filhos sofrem com a ausência do pai — afirmou a mulher de Arilson, Carla de Souza Freitas, de 41 anos.

Arilson foi detido no último dia 6 de junho. Segundo o relato de Carla, acompanhado do amigo Alex, foi abordado por policiais na Ilha da Conceição — os dois foram até o local para buscar uma carta de recomendação para um emprego. Em seguida, foram levados até a delegacia de Niterói, a 76ª DP (Niterói). Eram suspeitos de terem praticado um roubo que ocorrera dois dias antes.

— Acusou o meu marido. Contou os policiais que foi roubada e que recebeu até um “mata-leão” (termo popularmente para um golpe de estangulamento). Não foi ele. Arilson sempre foi muito honesto e trabalhador. Nunca roubou nem foi preso — acrescentou a mulher.

Por meio de nota, a Polícia Civil confirmou a prisão. No comunicado, o órgão informou que “o suspeito se encontra detido porque foi reconhecido por uma vítima de roubo “; e que “o inquérito policial foi encaminhado à Justiça requisitando o pedido de prisão dele.”

A Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) confirmou que Arilson foi preso em junho deste ano:

“O nome em referência deu entrada no sistema prisional em junho de 2019 e encontra-se em uma unidade prisional”, informou o órgão, na sexta-feira.

O amigo de Arilson, Alex Sandro, de 30 anos, que também chegou a ser levado para a delegacia no último dia 6 de junho, corroborou com a versão relatada pela mulher de Arilson. Ele contestou a versão alegada pela idosa na delegacia.

— Depois que fomos para a delegacia, a princípio, a senhora ficou me acusando, isso na parte da manhã. À tarde, depois que levaram a gente para a sala de reconhecimento mais uma vez, ela acusou o Arilson, dizendo que era ela. O casal de filhos dela estiveram lá e disseram a mesma coisa — contou Alex.

— Mas nada disso aconteceu. Nunca a gente iria fazer um negócio desses. Trabalhamos no sinal na Rua Marechal Deorodo (Centro de Niterói) há anos. Todo mundo conhece a gente ali .

Alex e a mulher de Arilson alegam que ele estava trabalhando na Rua Marechal Deodoro no dia e no período que o crime ocorreu na casa da idosa. Carla acrescenta que o marido trabalha no naquele mesmo ponto, semáforo próximo a um supermercado , há vários anos.

Enquanto o marido está preso, Carla afirmou que tem ido ao mesmo local para trabalhar como ambulante, para “garantir o sustento de casa”. Ela acrescentou que desde a prisão não pôde visitá-lo, porque, segundo conta, a carteirinha de visitante para ter acesso ao presídio não ficou pronta.

A mulher alegou ainda que a defesa solicitou à Justiça que recolhessem, caso haja, imagens de câmeras de segurança na Rua Marechal Deodoro, próximo à Avenida Jansen de Melo, na manhã do dia 4 de junho. Uma audiência estaria prevista para esta semana.

A família que mora na comunidade do Sabão, em Nitrerói, espera que Arilson consiga a liberdade.

— Ele sempre trabalhou e é um pai muito bom. Nunca foi preso. As crianças choram e perguntam pelo pai. Ficamos sem chão. Mas eu confio em Deus para ele sair logo de lá (da prisão), porque ele não cometou crime algum — desabafou Carla.

Pelas redes sociais, internautas relatam conhecer Arilson e comentaram o episódio: “Que isso, cara. Ele é um bom homem, conheço ele. Muito trabalhador”, disse um internauta.

“Gente, isso não existe. Ele trabalha, ou melhor, ele rala muito no sinal do Guanabara. É uma injustiça”, comentou outro. “É um rapaz trabalhador e pai de família. Sempre trabalhou duro, na chuva ou o sol. Mas sempre com simpatia e sorriso no rosto. Quem o conhece sabe que ele não é criminoso.”