Polícia investiga ação do ‘Bonde de Jesus’ contra terreiros de religiões de matriz africana no RJ


A Polícia Civil investiga um pastor de igreja evangélica apontado como o mandante de ataques a centros religiosos de matriz africana na Baixada Fluminense. Uma operação prendeu sete pessoas suspeitas de participar do “Bonde de Jesus”, responsável pelo vandalismo.

Em uma operação nesta quarta-feira (14), cinco traficantes da comunidade Parque Paulista foram presos. Outros dois foram presos na terça-feira (13). Segundo o delegado, o grupo que praticou os ataques aos terreiros tem outros foragidos.

“A gente identificou 21 traficantes, e conseguimos prender sete. Um deles identificou o pastor que era o porta-voz do traficante, que determinava a invasão de centros de cultura afrodescendente”, afirmou o delegado Túlio Pelosi, titular da 62ª DP (Imbariê). “Não será admitido nenhum tipo de intolerância religiosa”, garantiu Pelosi.

O chefe do Terceiro Comando Puro no Parque Paulista, além de favelas como Cidade Alta, em Parada de Lucas, e Vigário Geral, é Álvaro Malaquias Santa Rosa.

Conhecido como “Peixão”, ele agia com extrema violência nos ataques aos terreiros. Segundo o delegado, “Peixão” também é pastor de uma igreja evangélica.

“Ele ia com esse grupo em terreiros de macumba, quebravam e ameaçavam os frequentadores, no sentido de fechar os terreiros. É um caso claríssimo de intolerância religiosa. O que ele quer é que terreiros de macumba não funcionem em comunidades dominadas pelo Terceiro Comando”, afirmou o delegado.

Sacerdotisa teve de destruir o próprio templo

Um dos episódios investigados foi em 11 de julho. Traficantes armados invadiram um centro no Parque Paulista e obrigaram a sacerdotisa responsável pelo espaço a destruir todos os símbolos que representavam os orixás.

Os agressores ainda ameaçaram voltar ao local para atear fogo no terreiro.