Uma pessoa some a cada dois dias pelas mãos de milícias no Rio


A família de Alex Pereira da Silva comemoraria ontem os seus 27 anos. Em vez de festa, foi mais um dia de uma busca dolorosa que não acaba. Há 12 anos, milicianos o capturaram na calçada de casa, em Nova Iguaçu, jogaram o rapaz no porta-malas de um carro e ele nunca mais foi visto. Destroçado, o pai toma remédios controlados, e a mãe só se mantém firme porque não desistiu de encontrá-lo. A esperança é achar Alex vivo. Mas, a cada cemitério clandestino da milícia descoberto, ela se desespera.

Dizem que o tempo passa e a dor melhora. É mentira. São 12 anos que não durmo, esperando por uma notícia. Continuo vivendo uma grande interrogação. Aonde vou, levo a foto do meu filho comigo. Quem sabe alguém o reconheça — conta a mãe de Alex.

Diretor do Departamento Geral de Homicídios e Proteção à Pessoa da Polícia Civil, o delegado Antônio Ricardo Nunes estima, com base em informações de inteligência, que as milícias dão sumiço a uma pessoa a cada dois dias apenas nos 18 municípios da Região Metropolitana cobertos pelas Delegacias de Homicídios (DHs).

Parte das histórias que estavam ocultas começa a ser revelada nos cemitérios ilegais. Nos últimos 12 meses, investigações das DHs e do Ministério Público Estadual (MPRJ) localizaram seis deles — dois em Itaboraí, dois em Queimados, um em Belford Roxo e outro em Itaguaí —, com pelo menos 45 corpos ou ossadas.