Coronavírus: tráfico e milícia ordenam toque de recolher em favelas do Rio

Traficantes e milicianos estabeleceram toques de recolher em favelas após a confirmação de casos de infecções de coronavírus em comunidades do Rio. Os criminosos também fazem ameaças a moradores que forem flagrados circulando pelas favelas após as 20h. Na Cidade de Deus, na Zona Oeste, primeira comunidade do Rio a ter um caso confirmado, os traficantes circularam pela favela com um alto-falante durante a tarde de ontem.

“Venho aqui a pedido da diretoria das áreas 15, 13, AP e Karatê. Iremos fazer toque de recolher porque ninguém está levando a sério. Quem estiver na rua de sacanagem ou batendo perna vai receber um corretivo e vai ficar de exemplo. É melhor ficar em casa de molho. O recado já foi dado”, dizia o recado gravado. Na Cidade de Deus, há 19 casos suspeitos de contaminação por coronavírus.

Na Rocinha, onde há um caso suspeito, os moradores receberam na última sexta-feira mensagens por aplicativos de mensagens proibindo a circulação na favela depois das 20h. “Quem for pego na rua vai aprender a respeitar o próximo”. O tráfico também proibiu a circulação de vans pela comunidade.

Em regiões dominadas pela milícia, moradores também receberam ordens para ficar em casa. Na Praça Seca, na Zona Oeste, os paramilitares também usaram as redes sociais para estabelecer as novas regras: desde o último domingo, “está proibido o funcionamento de bares e biroscas nas comunidades. Venda de bebidas só para levar para casa. A ordem é para morador ficar em casa”, diz o aviso endereçado aos moradores das favelas Fubá, Campinho, Barão, Bateau Mouche e Chacrinha.

A mensagem segue a mesma linha das determinações de traficantes e termina em tom de ameaça: “Quem desobedecer será cobrado. Ordem vem de cima, obedeçam para não ter problemas”. Já nas favelas de Rio das Pedras — com dez casos suspeitos — e da Muzema, o toque de recolher estabelecido pela milícia também acontece às 20h.