Hoje a gente está na luz laranja forte’, diz secretário estadual de Saúde sobre avanço de casos de coronavírus no Rio

secretário estadual de SaúdeEdmar Santos, disse, nesta quarta-feira, em entrevista ao “Bom Dia Rio”, que “hoje a gente está na luz laranja forte” ao comentar sobre o avanço do coronavírus no Rio e a consequente sobrecarga em hospitais. De acordo com ele, a ocupação nas unidades estaduais é de 80% dos leitos de CTI e cerca de 70% de enfermarias. Ele destacou que a fila está grande, com cada vez mais pacientes chegando às Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) precisando de transferências.

– Estamos no âmbito da capital muito apertados. Das minhas 70 vagas de CTI hoje, 40 estão em Volta Redonda (no sul do Estado), no Hospital estadual Zilda Arns, e apenas 30 na própria capital. Infelizmente, parte dessas disponibilidades é por óbitos ocorridos – disse ele.

Ele destacou que, da semana retrasada para a passada, houve um aumento de 130% nas mortes causadas pela doença

No momento, tanto a curva de casos como a curva de óbitos estão subindo tanto nos hospitais públicos como nos privados, de uma maneira muito similar.

Edmar voltou a comentar sobre a dificuldade na aquisição de respiradores e testes rápidos.

– O Estado chegou a pagar adiantado mais de 600 respiradores e não recebeu nenhum. A gente tinha várias encomendas e as empresas sempre declinando. A gente não consegue também adquiri mais respiradores. É uma preocupação nacional a questão dos respiradores e dos testes rápidos para poder fazer testagem em uma parcela maior da população – disse.

Respiradores garantidos em hospitais de campanha do Leblon e do Maracanã

O secretário afirmou que tanto o hospital de campanha do Leblon, na Zona Sul, quanto o do Maracanã, na Zona Norte, já têm 550 respiradores garantidos. De acordo com ele, o primeiro começa a funcionar na primeira semana de maio e o segundo, até meados do mesmo mês.

– Essa primeira linha de hospitais de campanha que se abrem darão um apoio importante nessa oferta de vagas – frisou Edmar.

Segundo ele, não há equipamento garantidos para os hospitais de campanha de Duque de Caxias e Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, e de São Gonçalo, na Região Metropolitana:

– Novos respiradores serão uma dificuldade muito grande. Mas há um esforço do Ministério da Saúde, que faz um aceno que talvez dentro de 10 a 15 dias possa adquirir respiradores para os estados. Há um movimento de grandes empresas privadas com logística internacional de tentar trazer respiradores para doação. Existem esforços paralelos. A dificuldade não é dos estados, das administrações públicas, mas é uma realidade do mundo inteiro.

Edmar falou ainda sobre as denúncias de superfaturamento em contratos para a construção dois hospitais de campanha.

– Partiu de mim a solicitação de que os órgãos externos, como TCE (Tribunal de Contas do Estado), MP (Ministério Público) e a própria Alerj, funcionassem como fiscalizadores desse processo, além das auditorias internas. E também a Corregedoria Geral do Estado nesta última semana, a pedido do governador, está nos ajudando para deixar claros todos os problemas nesses contratos. A gente vai fazer a correção de cada um deles – afirmou, garantindo que essas medidas não comprometerão as obras nos hospitais.

Sobre equipes para trabalharem nas unidades de campanha, o secretário disse que os profissionais já estão sendo contratados e treinados.

– Não faltarão recursos humanos para abrir esses hospitais – disse.

E com relação aos voluntários, eles devem ser usados num momento de colapso por afastamento de muitos profissionais ou em locais que seja necessário reforço, informou Edmar Santos.